E já lá vai a Páscoa...
Anda toda a gente a queixar-se que a passagem do tempo parece ter-se acelerado e o certo é que, o que há uns anos atrás durava muito, agora passa muito depressa. Assim foi com a Quaresma e agora com a Páscoa também!
Houve, ao longo da semanas da Quaresma, ranchos de romeiros a percorrer a nossa Ilha de São Miguel, cumprindo tradição antiquíssima, mas sempre renovada. Os seus cantos enchem-nos os ouvidos e tocam-nos a alma, sobretudo quando nos chegam ainda alpardo, ainda meios adormecidos e eles já andam na rua, esquecendo o cansaço natural e as noites mal dormidas, na ânsia de cumprirem os seus votos, expiando os seus pecados e os nossos também. Mas onde isso já vai?
Houve também por toda a ilha procissões de Passos e reuniões preparatórias nas diferentes paróquias, na cidade de Ponta Delgada e fora dela. Ao longo da Semana Santa não faltaram nas igrejas as cerimónias evocativas dos vários episódios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Agora temos, através da televisão, acesso directo às cerimónias de Roma, presididas pelo próprio Papa Leão XIV. Pudemos assim acompanhar os seus apelos muito urgentes e especialmente oportunos pela paz - isto enquanto também em directo se seguiam os bombardeamentos de vária origem e se viam os mandantes da guerra mentindo com descaramento sobre as suas motivações, mesmo a seguir ao espectáculo lancinante das pessoas que perdem a casa, familiares e bens próprios, seja no Irão ou na Ucrânia ou em qualquer outro ponto do Mundo.
A verdade é que tudo passou muito depressa e, embora se saiba que o Tempo Pascal vai até ao Pentecostes, já estamos a pensar nas Festas do Senhor Santo Cristo, ou nas do Espírito Santo, cujas Domingas começam a contar muito em breve. E depois vêm as Sanjoaninas e as outras comemorações de Verão e daqui a pouco estamos de novo no Natal…
Interrogo-me muitas vezes se há quem ponha mão nisto e faça o tempo andar outra vez devagar, como acontecia outrora! Mas a minha resposta é sempre negativa e dou por assente que vai ser sempre assim e até cada vez em maior aceleração.
É neste novo enquadramento que temos de procurar solução para os problemas que nos afligem, sejam individuais ou colectivos. Quanto a estes temos de nos preparar para o aumento do custo de vida, no seguimento das várias guerras que por aí vão. E ainda será bom enquanto não formos arrastados para a frente de combate, como pretendem alguns doidos à solta que por aí andam ocupando funções de relevo.
João Bosco Mota Amaral
(Por convicção pessoal, o Autor não respeita o assim chamado Acordo Ortográfico.)